Tenho hoje dois filhos, se ambos tiverem a mesma quantidade de memórias que tenho dos meus 5 anos, realmente, então o quinto ano de vida das pessoas representam um marco crucial que determina muito de como iremos lidar com o mundo e interagir com as pessoas quando adulto.
A família é a base que determina este marco.
Lembro de minha mãe dando banho em mim e no meu irmão juntos
Lembro da mesinha vermelha e branca de criancinha que ela nos fazia sentar para comer
Lembro das roupas
Lembro de ver um alo vermelho brilhante ao redor de minha mãe (hoje imagino que isso seria algo tipo aurea ou sei lá o que poderia ser)
Dos vizinhos, dos cachorros dos vizinhos
Das baratas assustadoras que teimavam e passar por debaixo da porta da cozinha para me assombrar
Dos detalhes do piso da casa em que morávamos
Dos sonhos em que eu acordava (ou pelo menos achava que estava acordada), e passeava pela casa atravessando pelas paredes e achando isso natural...
Do primo e irmão adotivo de minha mãe que ia toda semana lá para casa sempre para dormir a noite e sair de manhã cedo
De que minha mãe me dava comida na boca, limpava meu bumbum, e me vestia com vestidinhos que eu detestava... (até hoje detesto vestidos!!)
De eu tirando a blusa porque me incomodava e de minha mãe dizendo que um dia eu não mais poderia ficar sem usar blusas pois o peitinho iria crescer
De eu pulando a janela da salinha da escola e da professora dizendo que não podia fazer tais travessuras porque era menina
Entre todas essas lembranças... duas delas são de relevância:
1a lembrança relevante: Lembro-me que aos 5 anos fui acometida por uma melancolia sem sentido, fiquei triste, e minha mãe quando me perguntava o que era eu dizia "tenho saudade", "quero voltar", "sinto saudade de alguém", "quero voltar"... Eu não sabia dizer o que era, não sabia mesmo, só muito tempo depois relembrando dessa memória e analisando-a percebi claramento que aquilo nada mais era do que estava me "caindo a ficha" de que tinha reencarnado e não mais estava no plano astral.
2a. lembrança relevante: Lembro-me que o primo-irmão adotivo de minha mãe chamado Jota, ia muito lá em casa, que de vez em quando meus pais saíam e me deixavam com a babá que dormia em casa todo o dia no quintal (pois é... minha mãe fazia ela dormir lá no quintal dos fundos numa parte coberta e ela só dormia dentro de casa quando estava frio....).
Um belo dia Jota chegou lá em casa, meus pais tinham saído, eu estava na minha cama brincando e meu irmão vendo TV, a nossa babá Lina, ficava no quintal dos fundos, lendo a bíblia das testemunhas de jeová como fazia quase todo dia a noite. Jota tinha um canto do armário do meu quarto que dividia com meu irmão para guardar as coisas dele. Depois do banho, voltou nú adentrando em meu quarto. Ficou se tocando na minha frente dizendo que queria me apresentar um amiguinho passarinho. Ele então se aproximou e pediu que fizesse carinho no novo amigo passarinho dele. Nesse dia só isso aconteceu. Porém na semana seguinte pediu mais carinho, na outra semana mais carinho... e falava que eu tinha fazer muito carinho no passarinho dele pois o mesmo sentia muito frio após o banho... Lembro-me claramente que de início pegava sem sequer me sentir incomodada, mas a frequencia dessa ocorrência começou a me incomodar pois queria brincar e tinha que ficar muito tempo esquentando o passarinho dele até ele se sentir satisfeito.
Os anos passam 5, 6, 7 anos...
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